Galp: 812 milhões e uma refinaria que aprende a fazer combustível verde
A petrolífera portuguesa ganhou 812 milhões de euros no primeiro semestre, mais 44%, puxada pela produção brasileira. Mas a história do ano está em Sines: os reatores para combustíveis renováveis — 270.000 toneladas de SAF e HVO por ano — entraram em testes a meio do ano, e a unidade de hidrogénio verde de 250 milhões deve arrancar até ao final de 2026.
Redação EuroEnergy · Portugal · 1 min de leitura · atualizado a 29/09/2026
A Galp vive a clássica vida dupla das petrolíferas europeias: o dinheiro vem do barril velho, o futuro constrói-se ao lado dele.
O semestre do barril. Lucro de 812 milhões de euros na primeira metade do ano, 44% acima do ano anterior — impulsionado pela produção nas águas brasileiras e pelos preços do crude. O upstream brasileiro continua a ser a máquina de dinheiro do grupo, e a refinaria de Sines — a única do país — reafirmou o seu «papel estratégico» num mercado de combustíveis agitado pela geopolítica.
O estaleiro verde de Sines. Junto às velhas colunas de destilação ergueram-se os reatores da nova era: a unidade de combustíveis renováveis, dimensionada para 270.000 toneladas por ano de SAF — querosene sustentável de aviação — e HVO, gasóleo de óleos tratados com hidrogénio. O investimento total do díptico verde: 650 milhões, dos quais 250 milhões para os eletrolisadores de hidrogénio verde programados para arrancar até ao fim do ano — hidrogénio que substituirá, nos processos da refinaria, parte do que hoje é fabricado a partir do gás.
O contexto político. O Governo pediu esclarecimentos sobre o controlo da refinaria — sinal de que o ativo é tratado como infraestrutura crítica — e a Galp respondeu sublinhando os investimentos: ninguém fecha Sines, Sines transforma-se.
A aposta europeia. Os mandatos da UE para o SAF começam a morder: as companhias aéreas procuram querosene verde num continente que mal o produz. Sines entra na corrida mesmo a tempo — uma estreia industrial portuguesa com mercado garantido por lei.
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