Ex-presidente da Landsvirkjun alertou para interferência política; o conselho da empresa rejeita as acusações
Documentos publicados pela RÚV e pelo Morgunblaðið mostram que Hörður Arnarson, que dirigiu durante cerca de 17 anos a elétrica estatal Landsvirkjun, alertou que a interferência política poderia tornar a empresa «inoperacional». O conselho respondeu na segunda-feira à noite que uma análise jurídica independente não mostrou qualquer excesso do seu papel legal.
Redação EuroEnergy · Islândia · 2 min de leitura
A disputa sobre a governação da Landsvirkjun, a empresa de energia detida pelo Estado islandês, tornou-se pública na segunda-feira, 2 de novembro, à noite. Às 18h00, no programa Spegillinn, a RÚV apresentou documentos da correspondência entre o Ministério das Finanças e dos Assuntos Económicos, o conselho de administração e o ex-presidente executivo Hörður Arnarson, e o conselho respondeu com uma declaração publicada no site da empresa.
O que escreveu o ex-presidente. Segundo a RÚV, Hörður começou no final do ano passado a levantar objeções à forma de trabalhar do conselho e do ministério. Num memorando de junho, alertou que as reuniões cada vez mais frequentes entre o ministério e o conselho fora das assembleias gerais podiam ser interpretadas como interferência política; se o Órgão de Fiscalização da EFTA (ESA) as visse assim, a empresa poderia tornar-se inoperacional, porque as decisões importantes teriam de ser enviadas à ESA. Segundo o Morgunblaðið, o ministro Daði Már Kristófersson reuniu-se com o conselho a 6 de janeiro sem a presença do presidente executivo.
O que diz o conselho. Na sua declaração, o conselho afirma que levou as observações a sério, obteve um parecer jurídico independente e que «a análise não mostrou que o conselho da Landsvirkjun tenha excedido o seu papel legal ou as suas competências». Desde que tomou posse em abril de 2025 houve nove reuniões com o ministério, centradas na rentabilidade, nos dividendos e na estrutura de capital, e o presidente executivo ou o seu substituto esteve presente quando se discutiram as operações. O conselho diz que se reuniu duas vezes sem ele, quando eram debatidas precisamente as suas observações, e que não interferiu na gestão corrente.
Contexto. Segundo a RÚV, Hörður anunciou a saída no início de outubro, invocando falta de confiança, após cerca de 17 anos à frente da empresa; o seu adjunto assume interinamente o cargo até à nomeação de um novo presidente executivo. O Morgunblaðið escreve que na reunião de 6 de janeiro se discutiu também a disputa entre a Landsvirkjun e o operador de rede Landsnet, tendo o ministro considerado infeliz que se desenrolasse nos media. Um e-mail interno do ministério de 11 de setembro notava que «parece haver pouca confiança de ambos os lados» e mencionava que o conselho trabalhava com a Boston Consulting numa nova estratégia centrada na eficiência.
O que se segue. A Landsvirkjun deverá nomear um novo presidente executivo. O conselho, presidido por Brynja Baldursdóttir, afirma que as decisões são tomadas em reunião «em bases comerciais» e que continuará independente, com os interesses de longo prazo da empresa e da sociedade em primeiro plano.
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