A REN, árbitro silencioso do sistema, veste a rede de armadura
O operador português de transporte está em todos os dossiês do ano: 137 milhões de euros para compensadores síncronos e STATCOM depois do apagão ibérico, um terminal de GNL com peso recorde no abastecimento, o mandato histórico para a interligação com Marrocos e a ligação simultânea do solar, das baterias e da cidade de servidores de Sines. Retrato da empresa por onde passa, literalmente, toda a energia do país.
Redação EuroEnergy · Portugal · 1 min de leitura
Poucas empresas portuguesas têm um monopólio tão completo sobre um substantivo: pela REN passa tudo — os eletrões nas linhas de muito alta tensão, as moléculas nos gasodutos, o gás liquefeito no cais de Sines.
O ano depois do apagão. O 28 de abril de 2025 transformou a REN de utilidade invisível em assunto nacional. A resposta técnica está em pleno estaleiro: 137 milhões de euros para ativos de gestão dinâmica da tensão — compensadores síncronos, que devolvem a inércia perdida com as centrais clássicas, e STATCOM, a eletrónica de potência que estabiliza os segundos difíceis. A eles somam-se a duplicação das centrais com capacidade de arranque autónomo e novos protocolos com o operador espanhol.
A porta do gás. O mesmo operador gere o terminal de Sines, que entrou no ano com peso recorde: 95% do gás do país. Num sistema sem gasodutos internacionais diretos, a manutenção de um único cais torna-se questão de segurança nacional — e explica porque a REN investe constantemente na redundância do terminal.
Os dossiês do futuro. Na mesa da empresa estão em simultâneo: os estudos reativados para a interligação com Marrocos — mandato recebido em 2018, com a homóloga ONEE — a ligação do leilão de baterias, as exigências da cidade de servidores de Sines e a eterna defesa das novas linhas para Espanha e, através dela, para a França.
A moral do retrato. A transição energética anuncia-se em gigawatts de sol e vento, mas vive-se em transformadores, compensadores e procedimentos de rearranque. Os países que financiam o seu árbitro têm sistemas aborrecidos — ou seja, exatamente o que um sistema elétrico deseja.
Os fluxos pela rede portuguesa, em tempo real, no mapa da Europa.
Outras notícias
Comentários
Seja o primeiro a comentar.