28/09/2026

A eólica portuguesa: um quarto do consumo, mas o crescimento congelou

As turbinas cobriram 25,4% do consumo português em 2025 — uma das maiores quotas do mundo — mas o parque quase não cresce: apenas 447 MW estavam em construção no ano passado, com Tâmega Norte e Tâmega Sul à cabeça, e o repowering mal chega aos 14% do total. A meta para 2030 — 10,4 GW em terra — exige, dizem os estudos, «uma aceleração imediata».

Redação EuroEnergy · 1 min de leitura · atualizado a 29/09/2026

Parc eolian pe culmile portugheze
Foto: Vitor Oliveira · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

A eólica é a veterana da transição portuguesa: as turbinas subiram às serras de Viseu e da Estrela quinze anos antes dos grandes parques solares, e o distrito de Viseu continua a ser o campeão da potência instalada. Precisamente por isso, a sua estagnação é a crise mais discreta do sistema.

A quota sem crescimento. 25,4% do consumo nacional coberto em 2025 — um desempenho mundial. Mas a capacidade instalada mal se move: o relatório anual do setor contou 446,8 MW em construção, dos quais cerca de 80% projetos novos — dominados pelos parques Tâmega Norte (194,4 MW) e Tâmega Sul (79,2 MW), pensados em tandem com a gigabateria hídrica da Iberdrola — 14% repowering e 6% sobreequipamento.

Porquê o congelamento. A lista das causas é a clássica portuguesa: licenciamentos lentos, avaliações ambientais imprevisíveis, redes cheias nas boas zonas de vento. E a geração fundadora de turbinas envelhece: as máquinas de 1–2 MW de há vinte anos ocupam as cristas onde poderiam estar máquinas de 6 MW — o repowering é a mina de ouro adiada do sistema.

A distância até 2030. O plano nacional pede 10,4 GW em terra mais 2 GW no mar. Os estudos do setor dizem explicitamente que a trajetória atual não chega — e cada terawatt-hora eólico em falta será coberto, nas noites sem sol, por gás importado.

O paradoxo do momento. Portugal tem vento, know-how e trinta anos de experiência — e passa a década decisiva a discutir procedimentos. O vento, entretanto, sopra em vão.

A produção eólica, em tempo real, na página do país.

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