A eólica no mar continua no papel: o leilão prometido, ainda sem regras

Ano e meio depois do despacho ministerial que fixava o modelo concorrencial — com prazos de 60 e 180 dias escritos no texto — as regras do primeiro leilão offshore português continuam por publicar. As zonas estão escolhidas: Viana do Castelo com dois lotes, Leixões e Figueira da Foz, para a meta de 2 GW em 2030. A APREN avisa que os investidores começam a partir; a WWF conta os anos perdidos.

Redação EuroEnergy · Portugal · 1 min de leitura · atualizado a 29/09/2026

Turbină eoliană plutitoare în largul Portugaliei
Foto: Vitor Oliveira · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

Poucos dossiês energéticos portugueses acumularam tantos prazos ultrapassados: a eólica flutuante do Atlântico, prometida, cartografada, aprovada — e sempre adiada.

A cronologia da paciência. Janeiro de 2025: o Governo aprova o plano de afetação das zonas marítimas, o PAER. Abril de 2025: o Despacho n.º 4752/2025 fixa o modelo concorrencial e promete as regras do leilão em 60, depois 180 dias. Setembro de 2026: as regras ainda não existem. Entretanto, os governos mudaram, e a ambição foi recalibrada «para limitar os custos para os consumidores».

O que já está decidido. A geografia: três zonas — Viana do Castelo, com dois lotes, no norte de tradição industrial naval, Leixões junto ao porto do Porto e Figueira da Foz no centro. A meta: 2 GW atribuídos até 2030, o primeiro passo de um potencial atlântico que os estudos medem em dezenas de gigawatts, em plataformas flutuantes — as águas portuguesas descem a pique.

O custo da espera. A APREN, associação das renováveis, avisa que Portugal «pode perder investimento»: a cadeia industrial flutuante — estaleiros, portos, cabos — está a instalar-se agora, na Escócia, na França e na Coreia, e quem leiloa tarde fica com o que sobra. A WWF sublinha a ironia: o país que acolheu o pioneiro WindFloat arrisca-se a ver da margem a indústria que em parte inventou.

A defesa do Governo. O executivo repete que quer o leilão «bem feito, não depressa feito»: preços que não pesem na fatura, portos preparados, rede em terra. Argumentos sólidos — que seriam ainda mais sólidos publicados dentro do prazo.

A energia portuguesa, no contexto europeu, no mapa do continente.

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