O primeiro leilão de gases verdes pôs preço ao hidrogénio português
Portugal organizou o primeiro leilão de compra centralizada de biometano e hidrogénio verde: até 150 GWh por ano de biometano a um máximo de 62 euros por megawatt-hora e 120 GWh de hidrogénio por eletrólise a um máximo de 127. O modelo — o Estado compra, os comercializadores revendem — dá aos produtores a certeza de receita sem a qual nenhum eletrolisador encontra financiamento.
Redação EuroEnergy · Portugal · 1 min de leitura · atualizado a 29/09/2026
Depois de anos em que o hidrogénio verde português viveu de estratégias e memorandos, o primeiro leilão de compra centralizada deu-lhe finalmente o que lhe faltava: um preço.
O mecanismo. O Estado, através do operador de mercado, compra a prazo gases renováveis — biometano e hidrogénio por eletrólise com eletricidade verde — e revende-os aos comercializadores de gás, que os misturam nas carteiras. Os tetos da primeira ronda: 150 GWh por ano para o biometano, a um máximo de 62 euros por megawatt-hora, e 120 GWh para o hidrogénio, a um máximo de 127. Os contratos de longo prazo transformam uma aposta tecnológica num fluxo de caixa bancável.
Porque o hidrogénio português precisa de muleta. Os eletrolisadores anunciados na vaga de entusiasmo de 2020–2021 chocaram com a mesma aritmética em toda a Europa: o hidrogénio verde custa várias vezes mais do que o produzido a partir do gás, e os compradores dispostos a pagar a diferença são poucos. O leilão desloca a diferença para os ombros do sistema — de forma transparente, concorrencial, com o proponente mais barato a ganhar.
As peças que se ligam. Em Sines, os eletrolisadores da Galp de 100 MW arrancam até ao fim do ano para consumo próprio na refinaria; o plano revisto do país moderou entretanto as ambições de exportação de hidrogénio — menos gasodutos transcontinentais, mais descarbonização da indústria existente. O leilão é exatamente o instrumento desta versão modesta e realista.
O próximo passo. As rondas futuras testarão se os tetos descem — o sinal de que a indústria amadurece — e se o biometano, o irmão mais barato, não canibalizará o orçamento do hidrogénio.
A energia portuguesa em transição, na página do país.
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