A cidade de servidores de Sines: 1,2 gigawatts para a inteligência artificial
A Start Campus constrói em Sines o maior campus de centros de dados da Europa: 1,2 GW de capacidade informática, arrefecimento com água do mar e um acordo com a EDP para energia renovável. O primeiro edifício funciona desde 2024 e foi premiado como o melhor centro de dados europeu; o segundo abre este ano. O porto que recebia carvão torna-se a tomada da inteligência artificial.
Redação EuroEnergy · 1 min de leitura · atualizado a 29/09/2026
Em Sines, a história industrial de Portugal reescreve-se a cada década: petróleo nos anos 70, carvão até 2021, GNL e hidrogénio hoje — e agora, a mais recente mercadoria global: o cálculo.
A dimensão do projeto. A Start Campus ergue, nos antigos terrenos da central a carvão, um campus de seis edifícios com 1,2 gigawatts de capacidade informática total — o maior projeto de centros de dados alguma vez anunciado na Europa. O primeiro edifício, o SIN01, funciona desde o outono de 2024 e foi designado em junho o melhor centro de dados europeu nos prémios Datacloud; o SIN02, o primeiro edifício verdadeiramente grande, entra em serviço este ano, e os restantes seguem-se sequencialmente, 240 MW cada.
Porquê Sines. Três respostas: os cabos submarinos transatlânticos que amarram na zona, a água do mar — usada para o arrefecimento, cortando o consumo de água doce para quase zero — e a eletricidade verde em abundância: um acordo com a EDP acelera o desenvolvimento da alimentação renovável, com o solar alentejano a um tiro de pedra.
A aritmética para o sistema. Em plena capacidade, o campus consumiria da ordem de dez terawatts-hora por ano — cerca de um quinto do consumo nacional atual. É exatamente o tipo de procura que os planos energéticos esperam: grande, constante, disposta a assinar contratos de longo prazo que financiam novos parques. E exatamente o tipo que testará as redes: a REN e a E-Redes dimensionam os seus investimentos com Sines no mapa.
O sinal continental. Numa Europa que se queixa de que a inteligência artificial parte para a América por falta de eletricidade, Portugal oferece a combinação rara: espaço, água fria, eletrões verdes e um porto. O resto é cabo de fibra.
O consumo e a produção portugueses, em tempo real, na página do país.
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