O lítio do Barroso: o estudo está pronto, a decisão final até ao fim do ano
A Savannah Resources concluiu em julho o estudo definitivo de viabilidade da mina de lítio do Barroso — o maior jazigo de espodumena da Europa Ocidental — e aponta à licença ambiental no terceiro trimestre, à decisão final de investimento até ao fim do ano e à produção em 2028. Bruxelas reconfirmou-lhe o estatuto de projeto estratégico; a comunidade local não assinou o armistício.
Redação EuroEnergy · 1 min de leitura · atualizado a 29/09/2026
Poucos estaleiros dividem Portugal mais profundamente do que as colinas do Barroso, região classificada pela FAO como património agrícola mundial — e assente, geologicamente, sobre o mais rico jazigo de espodumena da Europa Ocidental.
O ano das decisões. Em julho, a Savannah Resources concluiu o estudo definitivo de viabilidade — o documento com que se vai aos bancos. A empresa assinou com a agência de investimento AICEP um contrato com apoio até 110 milhões de euros condicionado à concretização dos investimentos, negoceia acordos de venda para o lítio e os subprodutos e mantém o calendário: a licença ambiental no terceiro trimestre, a decisão final de investimento até ao fim do ano, a primeira produção em 2028.
O escudo europeu. O projeto está classificado como estratégico ao abrigo do regulamento europeu das matérias-primas críticas, e a Comissão rejeitou a queixa das ONG contra a classificação — decisão que as organizações acusam de «ignorar os riscos ambientais e de segurança». O lítio do Barroso alimentaria a cadeia europeia de baterias exatamente quando o continente tenta libertar-se da dependência chinesa.
A frente local. Para as associações de Covas do Barroso, o calendário da empresa é uma provocação: os baldios, a água e o modo de vida classificado pela FAO não se compensam com royalties. Os protestos, as contestações e os bloqueios de terreno acompanharam cada etapa — e não dão sinais de cansaço.
O que ultrapassa o vale. O Barroso é o teste europeu da pergunta incómoda: pode fazer-se a transição verde sem as suas minas? A resposta de Lisboa, por agora: não — mas com condições, garantias e dinheiro para a região. O veredicto real chega com a licença ambiental.
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