Três quartos da eletricidade portuguesa vêm das renováveis
Entre janeiro e agosto, 74,4% da eletricidade produzida em Portugal continental veio de fontes renováveis; no primeiro semestre, a quota atingira 75,6%. Em 694 horas — quase um mês acumulado — as renováveis cobriram sozinhas todo o consumo do país. A fatura evitada: 809 milhões de euros em importações de gás e 374 milhões em eletricidade.
Redação EuroEnergy · 1 min de leitura · atualizado a 29/09/2026
Poucos grandes sistemas europeus podem exibir a estatística que Lisboa apresenta este ano: três quartos da produção de eletricidade, renovável — ano após ano, não apenas em meses de sorte.
Os números do ano. 74,4% da produção continental entre janeiro e agosto; 75,6% no primeiro semestre. Agosto trouxe o equilíbrio-símbolo: o solar liderou o mix com 23,7%, seguido de imediato pela eólica com 23,3% — o sol e o vento, ombro a ombro, à frente de qualquer fonte fóssil.
Quase um mês sem fósseis. Entre janeiro e julho somaram-se 694 horas — o equivalente a quase 29 dias — em que a produção renovável cobriu sozinha todo o consumo de Portugal continental. Nessas horas, o preço médio no MIBEL desceu a 36,3 euros por megawatt-hora, contra 57,3 de média do período: as renováveis não só limpam o mix, como emagrecem a fatura grossista.
A contabilidade do evitado. A produção verde poupou, em oito meses, 809 milhões de euros em importações de gás natural e 374 milhões em importações de eletricidade, mais quase meio milhar de milhão em licenças de CO2 — o argumento macroeconómico que o Governo repete em cada debate sobre os custos da transição.
O resto do caminho. A meta do plano nacional revisto é vertiginosa: 93% de eletricidade renovável em 2030. A diferença face aos 75% de hoje chama-se armazenamento, redes e — sobretudo — as noites de inverno sem vento, em que o gás ainda dita.
O mix português, hora a hora, na página do país.
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